O TGR: Dica de Livro da Atriz Glauce Rocha

Divisão do Teatro Glauce Rocha


Livro: Glauce Rocha: Atriz. Mulher. Guerreira

Autor: José Otávio Guizzo

Editora: UFMS

Glauce

José Otávio Guizzo intitula Glauce Rocha como mulher-personagem. Para Guizzo, contar a história da atriz foi um “jeito de decifrar a razão da existência de um ser tão forte e tão frágil a um só tempo”. O escritor pesquisou a fundo, durante 17 anos a vida dela. Em 20 de novembro de 1989, por coincidência ou não, morreu infartado assim como a personagem do livro, Glauce Rocha.

A apresentação do livro Glauce Rocha é feita por Maria da Glória Sá Rocha, escritora, membro da Academia sul-mato-grossense de Letras  e presidente do Conselho Estadual de Cultura-MS. A escritora afrima que “seu nome neste livro é hoje uma forma de permanecer na história, de ascender ao plano do mito, para ficar impresso na memória”.

Maria da Glória destaca que “é preciso ler com atenção este livro, em que o autor evita propositalmente a forma linear a fim de obrigar o leitor a pensar, a fim de transformar-se na pessoa sensível e criativa que a história de Glauce exige”.

Na introdução, José Octávio Guizzo fala sobre seu objetivo maior, o de revelar, principalmente, às novas gerações, a figura extraordinária da atriz patrícia. Havia 14 sugestões de títulos para o livro presentes à página 10.

 

O livro é dividido por seqüências, como em um roteiro. Na Seqüência 1, o autor relata uma ligação telefônica, a qual dizia à Glauce Rocha: Olha, a morte ronda sua casa, e alguém vai morrer nela. No outro dia, ela não se sentiu bem, e pediu que avisassem ao Canal 4, que não gravaria a novela HOSPITAL naquele dia. Glauce piorou, deu entrada na Unidade Cardiológica, em São Paulo. Faleceu em 12 de Outubro de 1971, às dezessete horas e quinze minutos, seu atestado de óbito indicava enfarto do miocárdio. Guizzo ressalta que um ano antes, com a morte de sua mãe pela mesma doença que a mataria, Glauce Rocha vinha colecionando tudo que caía nas mãos a respeito de enfartes.

Na Seqüência seguinte, o autor retrata o nascimento da atriz, 16 de Agosto de 1930. Seu pai era  Leopoldino de Araújo Rocha, alagoense e sua mãe Edelweiss Ilgenfritz Rocha, gaúcha de nascimento. Guizzo indica com detalhes o cartório e as testemunhas. O cenário é a queda do café, em uma Campo Grande recém elevada cidade. O autor traça um perfil de Glauce Rocha, fazendo referência ao seu signo, leão.

Algumas seqüências mostram entrevistas e declarações de pessoas que conviveram com a atriz. Como, por exemplo, Luísa Barreto Leite, que diz “era uma dessas vocações escondidas”. E como a declaração de Norma Benguel sobre Glauce, “foi assassinada pelo excesso de trabalho não reconhecido”.

O autor falou sobre a última entrevista da atriz ao Diário da Noite.  No corpo dos textos José Octávio Guizzo conta a trajetória do teatro e do cinema no Brasil, a partir das participações de Glauce Rocha.

A nomeação do Teatro Universitário Glauce Rocha, da UFMS, e do prêmio em um festival amador de teatro que também levava seu nome, são histórias apresentadas nas sequências do livro.

Guizzo mostra como foi a primeira aparição de Glauce, na peça Madame Sans Gêne, de Victorien Sardou e Emile Moreau, em tradução e adaptação de Renato Alvim e José Wanderley, encenada no Teatro Rival, RJ, em 1952.

A obra trata de temas como a censura no teatro e da forma que a atriz lidava com isso. Mostra o amor de Glauce pela poesia.

Os textos foram ilustrados com fotos da atriz em atuações. É desta forma que Octávio Guizzo deixa evidente as belas expressões e multifacetas dos personagens e da própria atriz, Glauce Rocha.